Bruna Viola esbanja talento e prepara nova fase da carreira

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Bruna Viola, talentosa violeira e cantora, inicia nova fase da carreira e promete se consolidar como um dos grandes nomes da música sertaneja


O ano de 2016 mal tinha começado, mas já naquele tempo, muitas mulheres despontavam como as grandes apostas do universo sertanejo. De olho na tendência, um famoso programa matinal de entrevistas decidiu trazer vários desses novos nomes ao palco. O desfile de talentos que se viu naquela manhã chamou a atenção de muitos, inclusive a minha, que ainda não entendia muito do estilo sertanejo. Mas talento é talento, e transcende a barreira do segmento, do estilo e dos gostos pessoais. Talento a gente reconhece, admira, aplaude e torce a favor.

Junto de moças que estouraram de vez no mercado e que hoje dominam as paradas sertanejas, como a conhecidíssima e premiada Marília Mendonça, a quem esta colunista já declarou admiração, estava Bruna Viola. Eu a conhecia de nome, mas nunca tinha visto em ação, e a partir daquele dia Bruna entrou em definitivo no meu radar. Se você não sabe muito sobre a moça, sugiro que guarde esse nome, pois acho que ainda vamos falar bastante dela.

O último trabalho lançado por Bruna foi o single “600km”, em setembro de 2019, ou seja, há mais de 2 anos, muito tempo para os atuais parâmetros insaciáveis do mercado das plataformas digitais. Recomendo, porém, que você não se deixe levar por essa informação. Milhões de streamings e visualizações, muitas vezes, nada têm a ver com a qualidade do artista. Tem a ver, no máximo, com maior aporte de investimento financeiro. Desde sempre, tem bons e maus artistas fazendo sucesso e um sem número de outros, como Bruna Viola, que têm qualidade para estar vários degraus acima de onde estão na escada da fama e do reconhecimento.

Convém ressaltar que Bruna Viola não é uma cantora que, por acaso, também toca um instrumento. Na verdade, é exatamente o contrário. Bruna é uma violeira que canta, uma musicista extraordinária, que se agiganta cada vez que começa a tocar sua viola caipira. Isso em nada depõe contra a artista e não significa que ela canta mal. Bruna tem uma voz agradável, bem treinada, mas brilha realmente quando começa a dedilhar os primeiros acordes de sua viola. Não é à toa que o nome do instrumento musical que ela domina também faz parte de seu pseudônimo artístico. Bruna e a Viola são uma só.

Além dela, há uma longa lista de outros artistas nacionais e internacionais que são músicos que cantam, ou sejam, têm no instrumento musical sua maior força. Há nomes consagrados, como o sanfoneiro Dominguinhos, os guitarristas Pepeu Gomes e Robertinho do Recife, o pianista e arranjador Francis Hime e o multi-instrumentista Egberto Gismonti, todos artistas extraordinários. No contexto internacional, lembro dos norte-americanos John Mayer (do pop rock, guitarrista genial e um monstro sobre o palco que tive o privilégio de assistir ao vivo) e o clássico do jazz Louis Armstrong, que eu aposto que você conhece pelo hit mundial “What a Wonderful World”, mas não sabia que foi um dos maiores pistonistas da história da música.

Como uma musicista que canta, Bruna Viola cresce sobre o palco. Vídeos com registros de apresentações ao vivo disponíveis na internet podem dar uma ideia de quem é a cuiabana nesses momentos, a ponto de impressionar a grande Inezita Barroso, também violeira, atriz, cantora, pianista e radialista, em quem Bruna já declarou se inspirar. Atenção especial no vídeo a seguir para a criatividade dos arranjos e para a precisão técnica de Bruna com seu instrumento em todos os ritmos propostos.

Bruna Viola trilha caminhos em uma seara predominantemente masculina. Se no universo sertanejo os nomes mais conhecidos são de cantores homens, imagina no mundo dos exímios instrumentistas. É uma estrada árdua e com mais obstáculos até chegar aos ouvidos do grande público, e por isso admiro tanto aqueles que se mantêm fieis à sua arte e à sua verdade e não mudam a rota apenas como jogada de marketing, para cair nas graças do mercado.

Há que se comentar também que o cenário da pandemia de Covid 19 estancou toda a demanda de shows e foi prejudicial aos artistas que são maiores no palco do que nas plataformas digitais. Foi necessário ajustar rotas, fazer novos planos, traçar novos caminhos e estabelecer novas parcerias. Nesse contexto, Bruna Viola passou a ser empresariada por Marcos Carlesse, nome importante no cenário sertanejo nacional.

De acordo com o próprio empresário, que falou com exclusividade ao Movimento Country, o projeto de gestão da carreira da cantora teve seus primeiros esboços em 2019, mas foi paralisado pelo contexto da pandemia.  “Já no início de 2021 voltamos a falar sobre planos para a carreira da Bruna na retomada do setor de eventos e entretenimento. É a uma ótima oportunidade para juntos dar sequência ao trabalho que foi tão bem cuidado até aqui“, disse Carlesse.

Ainda conforme o empresário, Bruna Viola tem alguns lançamentos previstos para os próximos 90 dias.
Dentre eles, destaque para a canção “Mulher do Agro”, que deve ser o carro chefe e a primeira a ser lançada. A música “tem alguns bordões interessantes, que a galera vai se identificar. Além, claro, de ser uma música super dançante e com a pegada da Bruna Viola”. Além dessa faixa, “tem uma romântica e um batidão de viola com uma participação incrível e ainda surpresa, mas que já está gravada, e pronta para lançar”, segundo Carlesse.

Pelo menos duas faixas dentre os próximos lançamentos devem fazer parte da trilha sonora do filme “Sistema Bruto”, do qual Bruna Viola será protagonista. Conforme o diretor Gui Pereira, o filme foi escrito pensando nela, e já está sendo rodado no interior de São Paulo, devendo chegar às telas dos cinemas e ao catálogo da Netflix em 2022. “O filme tem um elenco bem legal. Alguns já posso confirmar aqui: Bruna Viola, César Menotti e Fabiano, Jackson Antunes, Marcus Cirilo, entre outros”, afirmou Carlesse. Se Bruna for boa atriz a metade do que é boa violeira, chegaremos ao Oscar. Voa, Bruna! Voa pra onde você quiser, que o mundo é seu!

Sobre Dyala Assef: colunista do Movimento Country, escritora, professora universitária e ouvinte voraz de todos os estilos de boa música.

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