Chitãozinho & Xororó recebem a quinta indicação ao Grammy Latino com “Tempo de Romance”

Pela quinta vez, Chitãozinho & Xororó são indicados ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja, agora com o excelente EP “Tempo de Romance”

Você já deve ter lido aqui no Movimento Country e também nesta coluna sobre as indicações ao Grammy Latino 2021 na categoria melhor álbum de música sertaneja. Dentre os indicados, além de Os Barões da Pisadinha, estranhamente incluídos nessa listagem, estão os gigantes da música sertaneja brasileira Chitãozinho & Xororó, com seu EP intitulado “Tempo de Romance”.

O EP da dupla, que já venceu nesta categoria em duas edições anteriores da premiação, está disponível nas plataformas digitais e traz apenas cinco canções, que resumem muito bem a trajetória longeva dos irmãos, adaptados às transformações da música sertaneja ao longo do tempo sem comprometer a qualidade de seus lançamentos.

Em cena desde 1970, Chitãozinho & Xororó pretendiam comemorar os 50 anos de carreira ao longo de 2020, com uma turnê pelo Brasil com um show inédito, mas a pandemia atrapalhou os planos da dupla paranaense de Astorga. Havia planos, ainda, de lançar um livro em meio a outros eventos comemorativos. Diante de todas as dificuldades logísticas impostas nesse período, somente “Tempo de Romance” lançado em 2020, acabou sendo concretizado no rastro de algumas boas lives que fizeram recentemente.

Especificamente quanto ao repertório do EP, a gravação da música “Eu Voltei pro Mato”, que tem Xororó como um dos compositores, simboliza a evocação das raízes caipiras pelo toque da viola por ele tocada. Já “Nosso Terceiro Cachorro” (Xororó, Hudson Cadorini, Cristian Luz, Alex Torricelli e Vitor Cadorini), a primeira faixa divulgada, em maio do ano passado, para anunciar que o EP estava a caminho, representa a balada sentimental turbinada com instrumentos que remetem padrão pop do mercado de música urbana romântica e, portanto, fogem um pouco do estilo sertanejo mais clássico.

“Corações rebeldes”, composição de Jairinho Delgado, conta com solo de guitarra de Fernando Zor (mais conhecido do público pela dupla com Sorocaba), um dos arranjadores do disco ao lado de Claudio Paladini e Gabriel Pascoal. Convém lembrar que Pascoal é o produtor musical do EP de Lauana Prado intitulado “Natural”, do qual falamos aqui na coluna recentemente, ao passo que Zor produziu “Livre”, o trabalho anterior da cantora e que foi indicado ao Grammy Latino do ano passado.

A única gravação inteiramente inédita do disco é “Imagina”, de José Augusto e Bruno Caliman (a quem esta colunista que vos escreve já chamou de genial). A canção repete o flerte de Chitãozinho e Xororó com a música country norte-americana, mais evidente em seus trabalhos dos anos 90, época que coincidiu com o boom sertanejo nos grandes centros urbanos que tirou o estilo do interior e o fez chegar aos corações do grande público em alcance nacional.

As temáticas das canções giram em torno dos amores longevos e que não se desfazem por bobagens, das segundas chances que a vida nos dá e dos aprendizados que, muitas vezes, só chegam depois do sofrimento. De fato, “a vida é uma escola e o tempo professor”, que à primeira vista pode parecer sabedoria de para-choque de caminhão, mas que esconde verdades profundas que só os mais vividos conseguem compreender plenamente.

A marmita requentada do álbum é a balada “Página Virada”, de 1989, composta por José Augusto e Paulo Sérgio Valle, agora regravada com a participação da dupla xodó de muita gente, Jorge e Mateus. Essa escolha para a parceria é mais uma evidência da adaptabilidade de Chitãozinho e Xororó às mudanças sofridas pela música sertaneja, especialmente nos últimos 15 anos, com o estouro da versão universitária do estilo. Sessentões, mas jamais ultrapassados, os irmãos mostram que mesmo que haja novos ídolos, eles continuam muito bem, obrigada.

Por falar em adaptação, não posso encerrar sem antes tirar meu chapéu para a qualidade de Chitãozinho como segundeiro e, especialmente, para o trabalho impecável de Xororó com seu principal instrumento de trabalho: a voz. Limpa, clara, potente, saudável, que não se desgastou com o tempo e ainda alcança todos as notas com a precisão de um sniper americano, mesmo nas lives. Já dizia Faustão, quem sabe faz ao vivo, e Xororó sabe tudo e mais um pouco sobre o seu ofício de cantor. Dos melhores que nós temos, aliás.

Chitãozinho e Xororó vão vencer novamente? Acho difícil, mas, se acontecer, não será nada injusto. Vale lembrar que a 22ª Entrega Anual do Grammy Latino acontece no dia 18 de novembro, na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, nos Estados Unidos. No Brasil, a cerimônia será transmitida ao vivo pelo canal da TV a cabo TNT a partir das 19h00, e preparamos outros artigos citando a importância da premiação e falando mais sobre cada indicado – leia aqui!

Sobre Dyala Assef: colunista do Movimento Country, escritora, professora universitária e ouvinte voraz de todos os estilos de boa música.

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