Henrique e Juliano lançam EP “Manifesto Musical” e repetem a qualidade do repertório do início de carreira

Com novo EP de inéditas “Manifesto Musical“, Henrique e Juliano retomam o repertório de boa qualidade que fez deles uma das duplas queridinhas do sertanejo

Se você, assim como eu, estava sentindo falta de bons lançamentos de Henrique e Juliano, trago boas notícias! A espera acabou! Nesta sexta-feira, 17 de setembro, a dupla de irmãos tocantinenses disponibilizou, em todas as plataformas digitais, seu mais novo EP de canções inéditas, curiosamente batizado de “Manifesto Musical“. Os primeiros singles Arranhão” e “A Maior Saudade” já haviam sido lançados previamente, e agora saíram também “Rasteira”, “Até a Próxima Vida” e “Gaiola”.

A ordem dos lançamentos das canções do EP faz todo o sentido, já que “Arranhão” tem bombado, com a pegada certa pra chamar a devida atenção para o novo trabalho, uma batida dançante e um refrão chiclete sob medida pra você passar dias cantarolando. O segundo single, “A Maior Saudade”, por sua vez, é de longe, a canção mais bonita do EP, muito melódica e com uma letra bem construída que conta uma boa história de sofrência pra coração apaixonado nenhum botar defeito. A interpretação dramática de Henrique na primeira voz acrescenta algumas lágrimas ao processo (se você ainda não assistiu ao vídeo no canal da dupla, recomendo que o faça!).

Tenho lido algumas críticas reclamando dos palavrões presentes nesses últimos lançamentos, mas confesso que isso não me incomodou nem me pareceu algo planejado pra forçar a barra e ganhar mídia. Pra uma moçada que ouve alguns barulhos e batidas com frases recheadas de expressões chulas e de cunho sexual explícito, as letras de Henrique e Juliano são quase brincadeira de criança. Menos, gente.

Desde que despontaram para o sucesso no cenário sertanejo nacional, lá em 2013, Henrique e Juliano nunca ficaram muito tempo sem lançar novos trabalhos. O primeiro DVD, “Ao Vivo em Palmas”, foi gravado ainda em 2012 e estourou no ano seguinte. Tem algumas bobagens como “Vem Novinha” e “Mistura Louca”, no estilo pegação que fazia sucesso naquele momento, mas já trazia “O Que Vem Depois” (composição de Mateus Aleixo, que não fez grande sucesso, mas é a minha favorita) e a lindíssima “Recaídas”, que daria o tom dos sucessos da dupla nos anos seguintes. Música sertaneja da melhor qualidade.

De lá pra cá, os lançamentos da dupla ocorrem a cada um ano e meio, no máximo, e esse tempo entre um trabalho e outro tem caído mais ainda. Se você não conhece a dupla a fundo e quer saber quais são seus melhores trabalhos, sugiro que comece pelos DVDs “Ao Vivo em Brasília”, de 2014, e “Novas Histórias”, gravado em Recife no ano seguinte e lançado no começo de 2016. Em se tratando de conjunto da obra, são os melhores e que me fizeram virar fã da dupla (sim, eu sou fã). Menção honrosa para as faixas “Calafrio”, “Ele quer ser eu”, “Dois Covardes” e “Compensa me Amar”, obrigatórias na playlist desta colunista que vos escreve.

O trabalho seguinte, “O Céu Explica Tudo”, foi o primeiro da dupla gravado em São Paulo e tem como maior sucesso a chatíssima “Vidinha de Balada”, maior êxito do álbum e também a pior da lista. Esse DVD de 2017 tem ótimas canções como “Na Boa”, “Maquiagem Não Disfarça” e meu xodó “5 km”, que faz sucesso entre os fãs, mas não teve a atenção merecida. Aliás, desde então, um fato parece ter virado rotina na carreira de Henrique e Juliano: as melhores músicas não são as escolhidas para divulgação maciça e, consequentemente, não fazem grande sucesso.

Por falar nisso, até hoje não me conformo que o DVD “Menos é Mais”, de 2019, que traz a maravilhosa “Metade da Estrada” tenha como músicas mais conhecidas “Quem Pegou, Pegou” e “Vai que Bebereis”, que inaugura uma sequência desagradável de faixas sobre bebedeira. Pode fazer algum sentido pra galera que vai no show pra curtir e encher a cara, mas pra quem não gosta de tomar todas, como eu, parece muito pouco se comparado ao que a dupla é capaz de entregar.

Quando eu achava que não poderia piorar, veio o DVD mais fraco de todos, “Ao Vivo no Ibirapuera”, de 2020. O trabalho foi afetado em cheio pela pandemia e quase não pôde ser trabalhado nos shows da dupla (que, diga-se, são muito bons). Por outro lado, teve êxito nas mídias sociais e plataformas de streaming. Quem não ouviu “Liberdade Provisória” ano passado? Eu ouvi muitas vezes e até gostei, mas junto com ela, desse trabalho, só se salvam mesmo “Briga Feia” e “Não Tenho Coragem” (outra pérola mal trabalhada). Do resto prefiro esquecer, especialmente de “Alô Bebê”, uma rima boba demais e que não chega nem aos pés de bons trabalhos que a dupla já realizou.

Logicamente, a gente sabe que as escolhas dos artistas para suas músicas de trabalho são um jogo de xadrez com muitas peças movidas ao mesmo tempo, e a qualidade sonora e da letra nem sempre norteiam tais escolhas. Tem muito mais coisa envolvida e isso não é exclusividade de Henrique e Juliano. Se o objetivo é se manter em alta nos streams e com grande número de visualizações em seus vídeos, eles sempre marcam golaços. Gol feio também ganha jogo, mas “Manifesto Musical” veio mostrar que é possível voltar a ganhar jogo marcando gol bonito.

Sobre Dyala Assef: Escritora e colunista do Movimento Country, professora universitária, cantora amadora nas horas vagas e amante de todos os tipos de boa música.

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