Neto e Felipe falam sobre a carreira e revela projetos para 2022

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Nova promessa do sertanejo nacional, dupla Neto e Felipe conversou com o Movimento Country sobre a carreira e revelou os principais projetos para 2022

Em entrevista ao Movimento Country, a dupla Neto e Felipe abriu o coração ao contar histórias sobre o início da carreira e sobre os principais projetos que devem pautar sua trajetória em 2022. Além disso, os sertanejos falaram sobre os recentes lançamentos de singles que devem compor o novo DVD da dupla, “Saudade é Mato”, projeto audiovisual com 5 canções e que tem liberação completa prevista ainda para 2021.

A dupla formada por Neto Ferreira e Felipe Delatorre vem do interior de São Paulo e tem raízes na música caipira de Pena Branca e Xavantinho, além de influências do folk de Simon & Garfunkel e do sertanejo romântico de Victor & Leo e Jorge & Mateus. Três das cinco canções já estão disponíveis nas plataformas digitais e no canal da dupla no YouTube.

Com direção artística de Luiz Henrique Paloni, produção musical de Gabriel Paschoal (o mesmo produtor da Lauana Prado) e direção de vídeo de Fernando Trevisan (Catatau), que assina também os projetos de Henrique e Juliano, Marília Mendonça e Patroas, o projeto de Neto & Felipe deve ser um salto importante na carreira da dupla.

MC: Vocês são irmãos?

Neto e Felipe: Não somos irmãos. Somos irmãos da vida, a gente canta desde moleque junto, dá para dizer que a gente foi aprendendo sobre música junto. A gente se conheceu há 15 anos, ainda na escola, e aí a gente se juntou em uma bandinha na época, para tocar no fim do ano. De lá para cá, a gente seguiu tocando, aí a gente aprendeu a cantar junto, e a dupla se formou no meio desse caminho.

MC: Como foi a formação musical de vocês? Houve influência de alguém da família, alguém da família trabalha com música?

Neto: Meu pai é um músico frustrado, ele não toca nada mas conhece muito de música, e sempre fez questão de me passar as influências dele, que vão desde John Lennon e os Beatles até Tião Carreiro, Tonico e Tinoco e tudo que existe nesse meio. Então, desde cedo eu sempre quis tocar violão. Com 8 anos eu comecei a fazer aula de violão. Depois, aos 12, eu comecei aprender piano, depois veio a paixão pela viola caipira. Em 2015, a gente já tinha um trabalho que não era a dupla Neto $ Felipe, mas a gente já tocava juntos com a viola caipira. Eu toco contrabaixo também, pela necessidade das nossas produções.

Felipe: No meu caso, eu não tenho parentes próximos que tocam música, meus pais não são músicos. Mas, tenho lembranças do meu tio avô tocando violão muito bem e aí um outro pessoal chegava com a percussão. Quando eu tinha 12 anos, eu queria muito aprender violão e fui atrás. Vi um amigo meu tocando, fazendo uma batida no violão, achei muito legal, já fui atrás de aulas, e comecei desse jeito.

MC: Qual foi o primeiro trabalho profissional da dupla? E como foi a ideia da formação da dupla?

Neto e Felipe: É essencial na nossa carreira o tempo que a gente fez a dupla que se chamava Demerara, e falava para outro público. Era mais pop, e dentro do sertanejo a gente tocava coisas da música caipira e folk. Em 2015 a gente lançou o primeiro um EP dessa dupla, que se chama “Demerara” também, então dá para dizer que profissionalmente foi o primeiro que a gente lançou, a gente morando em São Paulo (capital) ainda. Como Neto & Felipe, acho que foi “Medo de Amar”, trazendo um direcionamento novo, uma cara nova para o que a gente faz, mais para o sertanejo, agora em 2020. É recente.

MC: Nesse tempo todo que vocês começaram a trabalhar com música profissionalmente, com banda e com o nome antigo da dupla, qual foi o maior desafio?

Neto e Felipe: Existiram vários, vai passando um filme na cabeça. Eu acho que, a princípio, um grande desafio é tentar encontrar o seu nicho, com quem você quer falar, encontrar uma cena que converse com você, em que você se sinta acolhido, porque a gente vê grandes artistas quando estouram ou estão com uma carreira consolidada, existe uma cena que faz aquilo viável. Na época do Demerara, a gente sofreu um pouco com isso, principalmente saindo do interior e indo pra São Paulo, não conhecendo muita gente, e não sabendo exatamente o que fazer. Foi um desafio que fez a gente mudar um pouco.

MC: Vocês têm uma ligação muito forte com a música raiz. Na sua opinião, qual o personagem mais relevante da música sertaneja que influenciou na carreira da dupla?

Neto e Felipe: Pena Branca e Xavantinho. Como escola de música caipira, para a gente foi o ponto de virada. Somos do interior, então a gente conhece e ouviu desde moleque esse repertório, mas no momento em que a gente estava em São Paulo, longe, a gente colocou o disco do Pena Branca e Xavantinho e aquilo simbolizou e abriu as portas de uma cultura riquíssima, infinita, personificada nesses artistas.

MC: Como foi a transição de vocês da música regional, raiz e caipira para uma música mais adaptada para o mainstream?

Neto e Felipe: Foi natural. A gente não conseguiria fazer essa mudança de forma brusca, e quem acompanha o nosso trabalho iria notar, não iria gostar também. Então, foi uma coisa bem verdadeira. Ao mesmo tempo, acho que a gente traz muito dessa música caipira do Demerara no nosso repertório também. Claro, a gente adaptou à questão da música de trabalho, alguns pensamentos mais voltados para o mercado, que é muito importante, porque a gente quer tocar e cantar para muita gente, fazer um som que todo mundo escute, mas a gente traz essa bagagem para dentro do nosso repertório.

MC: Vocês estão com um trabalho novo, que deve ter alguma origem na música raiz. Por que o nome do DVD “Saudade é Mato”?

Neto e Felipe: A música “Saudade é Mato” (em parceria com Guilherme & Santiago), que foi lançada recentemente, é uma composição do (Luiz Henrique) Paloni, não é uma composição nossa, e é a primeira vez que a gente trabalha com a composição de outra pessoa. É uma música que traz ao mesmo tempo uma batida que tem um pé no folk, uma coisa meio country, e ao mesmo tempo tem uma parada muito regional, muito sertaneja, muito forte, inclusive na letra. A música caipira tem um pouco dessa dessa saudade, dessa nostalgia, que a gente traz naturalmente.

MC: Como foi a escolha do Guilherme e Santiago para a faixa tema desse projeto?

Neto e Felipe: A gente sempre foi muito fã deles, da voz e da história. Há canções que eles gravaram que têm o romantismo contrastando com momentos mais do sertão, do franguinho na panela, modões que são clássicos hoje. Então, a gente achou que combinava demais com a música!  Teve também o lado prático, pois as pessoas com quem a gente trabalhou nesse projeto também tinham uma relação de amizade, de outros trabalhos com eles, o que facilitou esse diálogo, de fazer o convite, eles curtirem a música e a nossa interpretação também, e toparem esse projeto, o que foi uma alegria enorme para a gente.

MC: Qual o maior sonho da dupla como artistas?

Neto e Felipe: Poder levar o nosso trabalho para o maior número de pessoas possível, e com sinceridade, com essência, valorizando aquilo que a gente traz como bagagem, valorizando o que dá para chamar de nossa verdade.

MC: Com qual artista vocês gostariam de dividir o palco ou entrar no estúdio, que representa um grande nome?

Felipe: Renato Teixeira e Almir Sater. Eles representam muito bem essa junção da música até pop e da música folk com a música caipira. Pra fora da música caipira, vou contar que o Neto tem o sonho de cantar com Roberto Carlos.

Neto: é verdade, meu maior sonho é cantar com o rei, seria demais! Eu sou muito fã do rei, então em momentos imaginando que música eu cantaria com ele, eu pensava mais em músicas do lado B, as músicas tristes que a gente curte e que ele não costuma cantar. Para dizer uma que a gente gravou o dele, em homenagem aos seus 80 anos, “Amor sem limite” seria demais cantar com ele! A gente fez uma versão informal para o Instagram, que ficou bem bonita.

MC: Estamos saindo de uma pandemia agora de 18 meses de quarentena, sem shows. Como que vocês vem o futuro da Lula e quais são como vocês veem o futuro da dupla e quais são os projetos para os próximos meses? A gente já está entrando no último trimestre de 2021, quais são as perspectivas para 2022?

Neto e Felipe: A gente está trabalhando o DVD ainda e começando a abrir a agenda. A gente ficou esse tempo da pandemia sem fazer show, trabalhando muito nas nossas redes, alimentando YouTube e Instagram, mas sem fazer show. Então agora, a gente está sentindo essa hora de voltar para estrada, fazer shows, pegar uma banda legal, e tocar. Eu acho que no ano que vem a perspectiva é essa, e também iniciar um trabalho novo de gravação.

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