O que podemos esperar da música sertaneja em 2022?

Após a invasão de ritmos como o funk e a pisadinha em 2021, o que podemos esperar para a música sertaneja em 2022?

Meus amigos, que ano foi esse? Desafiador, pra dizer o mínimo! Pandemia, desemprego, muitas perdas (inclusive na música) e também alguns ganhos. Artistas já conhecidos na música sertaneja passaram a ter alcance nacional e algumas boas duplas despontaram, para a alegria dos apreciadores do estilo. Foi também um período de lançamentos de boa qualidade, acima dos anos anteriores, como já te contei aqui na coluna.

Dezembro mal chegou e já acabou e a gente fica aqui em todos os inícios de ano com o coração cheio de esperança de que as coisas vão melhorar no futuro, depois de fazermos revisão de tudo o que aconteceu no ano que se despede. Confesso, não sentirei saudades de 2021. Em se tratando da música, por outro lado, tô com medo de sentir falta do que 2021 nos trouxe, porque não estou muito esperançosa diante do que vejo no horizonte de 2022.

A gente também tenta prever as tendências que vão surgindo, para ver se consolidarem ou não. Na realidade, ninguém sabe ao certo, mas dando uma olhada no que vem acontecendo na música como um todo, e que tem respingado bastante no sertanejo, dá pra ter uma boa ideia do que esperar.

Se em 2020 o TikTok e os videos curtos, as dancinhas e os refrões pegajosos já bombaram, em 2021 essa pressa por consumir música curta e com cara de feita sob medida pra viralizar se consolidou. Em 2022 não vejo sinais de que essa tendência enfraqueça, ao contrário. Muito legal pra postar nas redes sociais, mas muito fraquinho em termos de real qualidade musical. Essa geração ansiosa e que quer tudo pra ontem, cada vez menos parece dar qualquer tipo de valor para a construção musical mais elaborada, seja nos versos, seja nos acordes. O resultado, vocês já imaginam: um monte de música ruim fazendo muito sucesso.

Entendo que cativar esse público é um enorme desafio dos músicos, compositores e cantores. Eles precisam ser conquistados em segundos, senão já era. Passam pra próxima faixa, pro próximo vídeo e assim muita coisa boa fica relegada apenas aos fãs ou até mesmo ao ostracismo. Se a pandemia fez o sertanejo botar o pé no freio dos investimentos, é hora de voltar a investir e achar saídas mais criativas para resolver esse problema.

A tia velha aqui não se acostuma com isso, e não queria estar na pele de artista bom que ainda busca uma grande chance de virada na carreira, e que frequentemente vê os cantores ruins ultrapassando igual foguete. Não me espanta que os artistas já consigam monetizar seus vídeos a partir de 30 segundos de reprodução. Música não é mais arte para ser degustada, porque esse saborear toma um tempo, e ninguém mais tem tempo pra nada. Que pena.

O perigo de pender para um extremo é ver o oposto ganhando força. Talvez um bando de gente se canse dessas músicas virais instantâneas e comece a escrever umas canções de dez minutos e os velhos saudosos feito eu achem isso o maior barato… Na gringa já tem faixa de sete minutos da Taylor Swift no topo das reproduções do Spotify. Será que a tendência pega por aqui? No pop ou eletrônico, talvez. No sertanejo, acho difícil.

A ‘funkeização’ do sertanejo, a princípio, para minhas lágrimas infinitas, deve continuar. O problema não está na mistura dos ritmos, e sim nas letras explícitas, repletas de referências nada sutis a relações íntimas. Mais uma vez vou pedir desculpas pra galera da ‘sentada’ e afins, mas, pra mim, não dá. Fico me perguntando qual o limite da vulgaridade nessas letras (piseiro incluído, aliás) e tenho medo da resposta.

Entendo que essas letras pesadas refletem o tempo em que vivemos, do s3xo fácil, de escolher parceiro como se escolhe um bife no restaurante. Mas daí a classificar isso de música boa, tem muito chão. Sou muito a favor de experimentar novas sonoridades, mas nunca vou achar normal crianças que mal foram alfabetizadas cantando bobagens que praticamente narram um rala e rola. Saudades do É o Tchan, quando “pau que nasce torto nunca se endireita“era o máximo da bobagem que a gente cantava nas festinhas.

Na contramão disso tudo, deposito minhas esperanças em uma boa safra de duplas sertanejas que despontaram em 2021, como Fred e Fabrício, Diego e Victor Hugo, Guilherme e Benuto, apenas para citar algumas, que têm no repertórios músicas com letras românticas e poéticas e uns modões pelo meio. Aliás, Marcos e Belutti lançaram modão em 2021. Vejo uma luz no fim do túnel. A música sertaneja pode experimentar e se misturar, mas espero que jamais perca sua essência.

Por fim, seguem os feats em 2022, as colaborações, parcerias, chame como quiser. Em 2021 tivemos algumas bem bizarras, mas outras tantas foram excelentes. Essa loucura de fazer feat todo mundo com todo mundo me deixa um pouco tonta, mas não incomoda. Quero cantar os melhores feats em shows ao vivo, no festivais cheios de artistas bons, no meio do povo, com três doses de vacina na veia, que é pra variante omicron não estragar a nossa festa. Pode vir, 2022! Tô pronta pra você!

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Acreditamos que você está ok com isso, mas você pode cancelar se desejar. AceitarLeia Mais