O que seria de Leonardo sem o projeto Cabaré?

Leonardo é considerado um dos grandes nomes do sertanejo e encontrou no projeto Cabaré a força para se reinventar após risco de decadência

Um dia desses ouvi em um podcast que o artista pode ter certeza de que nunca será esquecido quando a simples menção ao seu nome faz as pessoas lembrarem justamente daquela pessoa. Existem muitos homônimos por aí, mas eu duvido que você ouça o nome Leonardo e não lembre imediatamente do cantor sertanejo. Mas, será que só a música explica esse êxito do artista, com muitos anos de carreira, ou tem mais coisa nessa equação que manteve Leonardo na memória do povo?

Vira e mexe a gente retoma as reflexões sobre o que faz o artista realmente relevante. Mídia e streamings podem tornar os cantores conhecidos, ou manter sua imagem viva para o público, mas não refletem qualidade, como já abordamos aqui mais de uma vez. Se formos mencionar esse tipo de estatística, a exemplo do que fizemos com Henrique e Juliano, Leonardo poderia ser considerado um sucesso muito modesto, pois tem “apenas” 2,6 milhões de inscritos no seu canal do YouTube, por exemplo. Considerando seus últimos lançamentos musicais, há quatro meses, o video que foi mais longe mal bateu um milhão de views (o single “Sangue de Gelo“).

Por outro lado, no Instagram, onde compartilha fotos e vídeos pessoais, Leonardo tem mais de 16 milhões de seguidores. Chama bastante a atenção que, na rede social onde compartilha sua música, ele tenha pouco mais de 15% dos seguidores que tem na outra, onde o foco está na rotina familiar. Que tamanho tem esse artista que não faz música relevante há muito tempo, mas segue na boca do povo?

Caso você não se lembre, o que eu duvido, Leonardo ficou conhecido ao lado do seu irmão Leandro, que morreu de um câncer agressivo em 1998. Juntos, haviam emplacado grandes sucessos entre eles “Pense em mim”, que ficou tão grande que acabou virando tema de comercial de televisão. A dupla fez tanto sucesso que, em 1991, ganhou uma série na Globo chamada “Leandro e Leonardo” e que era exibida nas noites de terça-feira, na chamada “Terça Nobre”.

Leonardo é pai de seis filhos e teve casamentos conturbados. Quase desistiu da carreira quando seu irmão morreu, mas, com o apoio de familiares e amigos, o sertanejo continuou em carreira solo, colecionando novos sucessos como a regravação de “120, 150, 200km Por Hora” seu primeiro single solo (a original é de Roberto Carlos), além de “Te Amo Demais”, “Deixaria Tudo”, entre outras.

Apesar dessa bela história, com o passar dos anos, Leonardo viu o sucesso dar uma baixada significativa e os hits pararam de se renovar. A base de fãs, muito fiel, permanece até hoje, mas a ausência de novidades relevantes pesou pra ele. É aí que entra a estrela do homem que, além de artista, tem visão empresarial e tino comercial. Assim, eis que surge o projeto Cabaré, em 2016, originalmente em parceria com Eduardo Costa. Foi justamente com o Cabaré que o cantor sertanejo se reinventou e começou a conquistar números incríveis.

Que Leonardo e Eduardo Costa fizeram história com o projeto Cabaré não é mais novidade pra ninguém. Os cantores tinham uma grande amizade fora do palco e a sintonia musical entre os artistas era tanta que até hoje muitos fãs não superaram a saída de Costa do projeto. Convém lembrar que os cantores acabaram se desentendendo após a fatídica live “Cabaré” que foi marcada por polêmicas e bebedeira entre os astros.

De lá pra cá, Leonardo e Eduardo Costa seguiram caminhos opostos na música sertaneja. Enquanto Leonardo continuou o “Cabaré” com Bruno e Marrone, o ex amigo se juntou a Ralf no projeto “Mitos” de 2021, que teve sua turnê cancelada por problemas nos bastidores.

Além de entrar para a lista dos shows mais bem pagos do Brasil (calcula-se que em torno de R$500 mil reais, em valores atuais), “Cabaré” ficou por dois anos entre os shows mais procurados pelos contratantes. Depois disso, o sertanejo ampliou seus negócios. Dono de um patrimônio invejável, estimado em mais de R$200 milhões de reais, Leonardo investe seu dinheiro no agronegócio, na sua empresa de shows a Talismã e agora fatura milhões com o licenciamento da marca Cabaré, que produz cachaça e cerveja.

A importância de Leonardo para a música sertaneja é inquestionável. Por outro lado, o que menos tem rendido assunto em se tratando dele é a sua produção musical inédita. O ponto alto de todos os shows são os hits antigos. É muito comum que artistas que estão no cenário há mais tempo se apoiem bastante nos sucessos arrebatadores do passado, e o público espera isso deles, inclusive.

Leonardo ficou muito tempo sem produzir novidades e lançou no final de 2021 um EP ruim de doer, muito aquém de trabalhos que já desenvolveu. Foi sofrido ouvir até o final. A voz de antigamente mandou lembranças também. Bruno e Marrone, atuais parceiros de Leonardo no Cabaré, também não lançam nada de muito relevante faz tempo.

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Apesar disso tudo, a turnê Cabaré segue com vários shows programados, embora, musicalmente falando, Leonardo perca em relevância como artista no cenário atual. Todavia, não se pode negar que o projeto foi uma sacada genial do cantor, que o tem mantido plenamente na ativa e lotando casas de shows. No fim das contas, um dos grandes méritos dos bons artistas é saber se reinventar e, nisso, Leonardo pode nos dar uma aula.