“Sistema Bruto”, filme estrelado por Bruna Viola, começa a ser gravado e deve estrear em 2022

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Comédia de ação com temática voltada ao sertanejo, filme “Sistema Bruto” tem Bruna Viola como protagonista e deve estrear no início de 2022

Você já deve ter lido aqui no Movimento Country sobre a cantora e violeira Bruna Viola, que prepara nova fase na carreira e surgiu no cenário do sertanejo nacional no mesmo contexto que colocou as mulheres do segmento na vitrine de forma definitiva. Bruna surgiu junto de moças que estouraram de vez no mercado e que hoje dominam as paradas sertanejas, como a conhecidíssima e premiada Marília Mendonça, a quem esta colunista já declarou admiração.  Entre os projetos dessa nova fase, está o filme “Sistema Bruto”, que já começou a ser rodado e tem estreia prevista para fevereiro de 2022 em modo exibição para convidados.

Dirigido por Gui Pereira, da Dodô Filmes, o longa é descrito como uma comédia de ação que tem como fio condutor a história de duas amigas que, além de frequentarem os mais badalados bares e festas sertanejas do interior, também são apaixonadas por velocidade e adrenalina. Além de celebrar o automobilismo e a adrenalina, o filme tem como propósito acabar com o preconceito de que corrida não é para mulheres.

De acordo com o diretor Gui Pereira, que falou ao Movimento Country, “a ideia de fazer um filme que misturasse o universo do sertanejo com o universo dos carros surgiu durante as gravações do Coração de Cowboy (longa do mesmo diretor que venceu várias premiações quando foi lançado). Na época, bolei um esboço da história do que com o tempo se tornou o Sistema Bruto. Quando trabalhei na produção do DVD Elas Em Evidência (de Chitãozinho & Xororó), acabei conhecendo a Bruna Viola, e logo depois do encontro, percebi que ela se encaixaria perfeitamente na história do filme, e comecei a escrever o roteiro do filme com a Bruna em mente”.

“Eu já tinha mais ou menos uma ideia das cenas que eu queria realizar. E, como dito, depois que eu conheci a Bruna Viola pessoalmente, comecei a montar a história do filme pensando sempre na Bruna como protagonista. Se ela não gostasse ou não topasse participar do projeto, eu iria ter de pensar em uma outra história para contar, já que grande parte das cenas foram espelhadas diretamente na persona dela”, afirmou o diretor.

No elenco, além de Bruna Viola, estão nomes como Bruna Altieri, Marcus Cirillo, Marisa Orth, Jackson Antunes, Oscar Magrini , Nelson Freitas e Thaís Pacholek, entre outros. O competente Lucas Lima (marido da Sandy) assina a trilha sonora, que traz participações especiais de gigantes da música sertaneja, como Chitãozinho & Xororó e Gian & Giovanni, além de nomes mais contemporâneos, como Lauana Prado, de quem já falamos aqui na coluna. 

Sobre os critérios de escolha do elenco, Gui Pereira declarou “gostar de trabalhar com atores com quem já trabalhei antes e que tenham afinidade com o projeto e com o nosso processo criativo; por isso fiz o convite para alguns atores que já trabalharam comigo no Coração de Cowboy, como a Thaís Pacholek (…) e o Jackson Antunes. Os outros atores são pessoas das quais sou fã e sempre sonhei em trabalhar junto, e acabei fazendo o convite para entrarem no projeto”.

Todo o material de divulgação disponibilizado à imprensa afirma que o filme se espelha em produções norte-americanas, especialmente as da década de 1970, tanto no que se refere à temática quando em termos estéticos. Nesse contexto, convém mencionar os filmes do diretor Hal Needham, como “Agarre-me se Puderes”, estrelado por Burt Reynolds. A galera mais antiga, aliás, já deve até ter assistido a esse filme na “Sessão da Tarde”, recheado de carros enormes, homens bigodudos e muitas perseguições em estradas de chão, pra levantar bastante poeira.

Falando em filmes um pouco menos antigos, mas com a mesma pegada, posso citar “Dias de Trovão” (1990), com Tom Cruise e a então novata Nicole Kidman, estreando na carreira. Sobre empoderamento feminino misturado a perseguições sobre rodas, recomendo muito o excelente “Thelma & Louise” (1991), com as maravilhosas Susan Sarandon e Geena Davis, em um tempo em que dar muita liberdade às mulheres ainda era tabu. Menção honrosa para a derrière do jovem Brad Pitt, que aparece em toda a sua glória lá pelo meio do filme.

Oficialmente, “Sistema Bruto” é uma comédia e, portanto, faz sentido que pegue carona no êxito recente das comédias nacionais. Não tem como não lembrarmos do talentosíssimo Paulo Gustavo e sua Dona Hermínia, de “Minha Mãe é uma Peça”, ou até mesmo de Leandro Hassum, em “Até que a Sorte nos Separe”. A outra temática central do filme é o universo sertanejo, sucesso incontestável no Brasil, respaldado por números impressionantes de reproduções em rádio e plataformas de streaming. Só não tenho certeza de que as duas temáticas funcionam juntas.

Que a comédia é preferência nacional, não se pode negar. Todavia, apesar do retumbante sucesso do sertanejo no Brasil, trata-se de um nicho não tão amplo no que se refere a alcance de público. Quem não curte sertanejo pode não se empolgar, ou a galera do funk e da pisadinha talvez não vá assistir ao filme, por mais que goste cinema. Por outro lado, acredito que “Sistema Bruto” se beneficiará do período em que será lançado, em um contexto de fim de pandemia, em que as pessoas estão loucas pra sair da toca, dispostas a gastar mais com entretenimento e ainda mais ávidas por novidades.

A montagem acontece simultaneamente às gravações, de modo que, com a conclusão das filmagens, haverá também um corte bruto do filme, reduzindo o tempo de pós produção e permitindo ações mais ágeis para seu lançamento. Diante disso, o longa estará 100% finalizado em janeiro de 2022. “Sistema Bruto” já possui um acordo de distribuição com a DO2, com previsão de lançamento nos cinemas de todo o país no primeiro semestre de 2022. Atualmente, a Dodô Filmes negocia com a Netflix um lançamento exclusivo na plataforma, 70 dias após o lançamento nos cinemas. A ideia é lançar o filme quando não houver mais restrições de público devido às medidas sanitárias de combate à Covid-19, buscando a maior visibilidade do projeto perante ao público.

Inclusive, o cineasta admite que a pandemia de Covid-19 afetou os planos iniciais para a produção. “Nosso plano inicial seria gravar o filme em meados de 2020, porém, a pandemia afetou o cronograma não só das filmagens, mas também do processo de patrocínio e parcerias. Nosso projeto não faz parte de nenhuma lei de incentivo, e todos nossos parceiros entraram no projeto através de marketing e patrocínio direto não-incentivado”.

“Por causa disso, foi desafiador no meio de uma pandemia e crise econômica encontrar parceiros que acreditassem no projeto e topassem investir diretamente nele. As coisas só começaram a se tornar mais palpáveis no final de 2020, quando as empresas já estavam mais reformuladas e direcionadas a enfrentarem essa nova realidade. Mas, o período de pandemia foi fundamental para estruturamos o projeto e estudarmos melhor e mais detalhadamente o nosso orçamento”, afirmou Gui.

Novembro já está às portas e 2022, logo ali. Os objetivos de “Sistema Bruto” são bem ambiciosos, e muito em breve saberemos se o resultado se restringirá a nichos específicos de público (embora não seja essa a ideia) ou se a produção tem fôlego para alçar vôos mais altos. Os talentos estão todos aí, Bruna Viola tem muito potencial, mas o que a gente quer ver mesmo é se a mágica acontece e cai nas graças do grande público.

Sobre Dyala Assef: Escritora e colunista do Movimento Country, professora universitária, cantora amadora nas horas vagas e amante de todos os tipos de boa música.

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