Zezé Di Camargo em turnê solo e o futuro sem Luciano

Zezé Di Camargo anuncia turnê solo, sem Luciano, e reacende o debate sobre desentendimentos familiares e futuro afastado da dupla que o consagrou

Se você está confuso e ainda não entendeu se, afinal de contas, Zezé Di Camargo e Luciano pretendem seguir separados em definitivo, não se preocupe! Eu também estou confusa! Muito tem se falado sobre a separação dos irmãos, que foram uma das duplas sertanejas mais importantes de todos os tempos. Entre turnê solo misturada a shows especiais e projetos comemorativos, quase ninguém realmente entende qual o caminho que os artistas, de fato, escolheram para seu futuro.

A turnê “Amigos” está acontecendo. Neste final de semana, o show foi no Brahma Valley. A pose para a foto está uma maravilha, a legenda de agradecimentos também. Todavia, Luciano já lançou projeto solo gospel e Zezé Di Camargo, recentemente, lançou seu EP “Rústico”, que aqui mesmo na coluna eu disse que me surpreendeu positivamente. Foi um grande acerto colocar aquele “Ao Vivo” ao lado do nome de cada música, pois nada melhor para contestar críticos que diziam que ele estava acabado, sem voz, do que um projeto ao vivo.

Por outro lado, sabemos que mesmo os álbuns ao vivo têm um trabalho de pós produção e aí se corrigem os “defeitos”. O palco e o show são ainda o real termômetro de qualquer cantor, mas pra quem correu sério risco de parar a carreira de vez, Zezé até que se saiu muito bem no EP. Confesso que estou curiosa para vê-lo ao vivo, em show solo. Esqueça o projeto “Amigos”! O grande controle de qualidade da voz de Zezé Di Camargo é o show “Rústico”.

Em seu perfil no Instagram, Zezé Di Camargo divulgou que a primeira cidade a receber seu show solo será Cuiabá, no próximo dia 16 de abril, e que pretende divulgar mais datas. Já faz tempo que o sertanejo tem dificuldade de alcançar as notas realmente altas, que agora são bem menos numerosas que antigamente. Ok, ele teve problemas de saúde. Baixar o tom de tudo me parece a saída mais inteligente, e acredito que o show solo mantenha esse padrão.

Há quem diga que Zezé Di Camargo nunca teve, de fato, um registro vocal naturalmente tão alto, e eu tendo a concordar. Se você ouvi-lo falar, perceberá que a voz não é tão aguda, ao contrário de Xororó, um tenor e tanto, cuja voz falada também é aguda. Leandro Voz, professor de técnica vocal e músico experiente, diz em seu canal no YouTube que Zezé explodiu para o sucesso cantando alto daquele jeito em função de uma exigência do mercado. Ele adaptou a voz (e, consequentemente, a forçou) para se moldar ao que empresários disseram a ele que funcionaria e o alçaria ao sucesso. Deu certo? Deu, mas o preço cobrado foi bem alto.

Excluindo-se os problemas que Zezé tem com a voz, o desgaste em sua relação profissional com Luciano já se arrasta há tempos. Seria mais elegante fazer como outras duplas icônicas que se separaram, assumir e tocar em frente. Todavia, acredito que, como a turnê “Amigos” está em andamento, haja questões contratuais que os impeçam de fazer isso. Saberemos os reais rumos de ambos quando as amarras contratuais não estiverem mais vigentes.

Nesse quesito, importante mencionar Victor e Léo, cuja relação se desgastou a ponto de macular o vínculo familiar. Em entrevista ao jornalista André Piunti, Léo admitiu que nem ele e nem Victor tem planos de retomar a dupla, e que tal decisão melhorou muito o relacionamento entre os irmãos. Como admiradora do trabalho deles, lamento, mas me parece ser mesmo o mais certo a fazer, pela sanidade mental de todos. A música perde, mas a vida sai ganhando.

Como fã de sertanejo, espero que todos encontrem caminhos que os mantenham ativos e lançando música boa, qualquer que seja o segmento escolhido. “É o Amor” estourou em 1991, quando eu tinha 14 anos. Sou cria da cidade grande, e na minha casa não se ouvia sertanejo. Meu irmão gosta de Chico, Caetano e Milton Nascimento. Mamãe ouvia música clássica e papai gostava de Nelson Gonçalves. Eu entrei no universo sertanejo embalada pela voz de Zezé Di Camargo. “Cara ou Coroa” foi meu portal de acesso, minha carta de boas vindas.

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De lá pra cá, de certa forma, nunca mais saí desse mundo. Pelas mãos (ou pelas pregas vocais) de Zezé Di Camargo, conheci Xororó, viajei 500 km, de Curitiba a Paranavaí, apertada em um banco de trás de um carro pequeno, ouvindo “Será Que Eu Sou” no repeat, sem parar. Ouvir Zezé ativa minha memória afetiva. Ele nunca mais vai cantar naquele tom, e ele não precisa. O Zezé Di Camargo artista é muito maior que as notas que alcança.